Nossa história
O primeiro voo de balão em Praia Grande
Em 6 de abril de 2016, uma ideia ousada ganhou os céus da Capital dos Canyons — e iniciou uma história que ajudaria a transformar o turismo de Praia Grande, Santa Catarina.
Quando tudo começou
Em 2015, concluí minha formação como piloto de balão. Naquele mesmo período, eu cursava o quarto ano de Gestão em Turismo no Instituto Federal Catarinense. Ainda não imaginava que as duas escolhas — o voo e o turismo — logo se encontrariam de uma forma tão definitiva.
Foi durante a faculdade que conheci Aline Aguiar. Guia de Turismo em Praia Grande, ela falava da cidade com o entusiasmo de quem enxerga possibilidades antes mesmo de elas se tornarem realidade. Em nossas conversas, insistia que eu precisava levar um balão até lá. Dizia que a paisagem era bonita demais para ser vista apenas do chão e que um voo poderia se tornar um produto turístico especial para a região.
A ideia parecia ousada. Praia Grande, no extremo sul de Santa Catarina, é cercada por uma geografia que impõe respeito: de um lado, os paredões dos cânions; de outro, o caminho que se abre em direção ao litoral. Antes de colocar a proposta em prática, procurei pilotos mais experientes para ouvir suas opiniões. Queria entender o que significava voar tão perto das montanhas e quais eram os riscos de uma operação naquele cenário.
“Do alto, os cânions se revelavam a oeste; a leste, o horizonte se abria em direção ao litoral.”
As respostas, quase sempre, vinham carregadas de cautela. Muitos acreditavam que a diferença de altitude e de pressão tornaria o voo turbulento e inviável para uma operação comercial segura. A mensagem era clara: aquele lugar poderia ser bonito, mas talvez não fosse feito para balões.
Mesmo assim, a dúvida não era maior que a curiosidade.
Em 6 de abril de 2016, com a ajuda da Aline e de alguns convidados que acreditaram na ideia e ajudaram a financiar aquele momento, realizamos o primeiro voo. E foi justamente ali que a teoria encontrou a realidade. Em vez de um voo agitado, encontramos uma manhã tranquila, leve e profundamente bonita.
Do alto, os cânions se revelavam a oeste; a leste, o horizonte se abria em direção ao litoral. Entre montanhas, vales e a luz da manhã, Praia Grande parecia mostrar uma paisagem que ainda estava esperando para ser descoberta. Foi amor à primeira vista — não apenas pelo voo, mas pela certeza de que havia algo especial naquele encontro entre o balonismo e a cidade.
De uma ideia a um novo destino
Depois daquela manhã, a vida seguiu seu ritmo. Continuei realizando voos comerciais em Torres, no Rio Grande do Sul, mas a ideia de voltar a Praia Grande nunca saiu da cabeça. A questão deixou de ser se seria possível voar ali. A pergunta passou a ser outra: como levar aquela experiência até os turistas?
A resposta começou a ganhar forma em 2017. Aline, que já atuava como gerente da agência Canyons e Peraus — parceira da Morada dos Canyons, pousada que vivia um importante momento de crescimento na cidade — insistiu para que eu conversasse com Flávio Getúlio. Guia reconhecido pelo conhecimento das áreas remotas de Praia Grande e diretor da agência, Flávio ainda não conhecia o balonismo de perto. Era necessário que ele vivesse a experiência antes que o projeto pudesse, de fato, avançar.
Enquanto estudávamos outros destinos de voo, uma conclusão se tornou evidente: seria difícil criar uma operação turística consistente com o único balão que eu possuía naquele momento, com capacidade para duas pessoas além do piloto. O sonho precisava de mais estrutura.
Foi então que entrou nessa história Rafael da Luz, piloto catarinense, visionário e apaixonado pelo esporte. Rafael tinha um balão maior, com capacidade para cinco passageiros além do piloto. O equipamento carregava a marca da construtora Riviera, da região de Itajaí, e por isso ficou conhecido como Rivierão.
Com o Rivierão, começamos os voos de apresentação. Convidados, parceiros e pessoas ligadas ao turismo local puderam conhecer de perto aquela nova possibilidade. Aline, Flávio e familiares estiveram entre os primeiros a embarcar. Rafael da Luz comandou voos que ajudaram a mostrar, na prática, o que até então era apenas uma ideia: Praia Grande tinha condições de receber o balonismo.
Em outros voos de demonstração, contamos também com a presença do então prefeito recém-eleito, Henrique Maciel. A cada balão que subia, a curiosidade da cidade aumentava. Muitas pessoas perguntavam o que estava acontecendo. Seria um evento? Uma ação de publicidade? Algo passageiro?
Não era.
Era o início de um produto turístico que, pouco a pouco, ajudaria a levar Praia Grande a um novo patamar. A Voe nos Canyons nasceu inicialmente como operadora, prestando serviços à Canyons e Peraus, que por sua vez atuava em parceria com a Morada dos Canyons. Os primeiros meses foram modestos: dois ou três voos por mês. Mas cada voo fazia mais do que transportar passageiros; ele apresentava uma nova maneira de ver a cidade.
Ainda em 2017, a Voe nos Canyons adquiriu seu primeiro balão próprio para passageiros: um balão azul, com detalhes coloridos, de 5.000 metros cúbicos e capacidade para oito pessoas além do piloto. Era mais do que um novo equipamento. Era um sinal de que aquele primeiro voo de 2016 não havia sido apenas uma experiência bonita — havia se tornado o ponto de partida de uma história.
Uma história escrita no céu, entre os cânions a oeste e o litoral a leste.
Viva essa história
Veja Praia Grande de um novo ângulo
Hoje, cada voo continua carregando o mesmo encantamento daquela primeira manhã de 2016.
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